O Pescador e a Névoa da Manhã
Uma reflexão sobre a paciência que antecede a primeira tarrafa lançada
Antes do amanhecer, quando o nevoeiro ainda cobre o leito do Tocantins como uma mortalha de algodão macio, ouve-se apenas o ranger da madeira das canoas batendo na areia molhada.
Seu Antenor não tem relógio no pulso. Conhece as horas pela direção da brisa e pelo canto da maria-faceira. 'A pressa é veneno pro pescador', costuma dizer em tom sereno enquanto enrola o fumo de corda na palha de milho.
Naquela lentidão há uma sabedoria que as cidades esqueceram: a de que nem tudo no mundo se move à velocidade da luz. Certas verdades pedem que o homem saiba sentar e esperar o rio correr.
FSulo
Escritor e poeta da região do Bico do Papagaio (Tocantins).
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